NOVO BLOG!!

GALERA, APARTIR DE HOJE 19/02/2010 COMECEI A CRIAR UM NOVO BLOG, AGORA SO DE FILMES E SERIADOS ONLINE, JA TEM ALGUNS FILMES PRA VCS CURTIREM, BREBE TEREI MUITOS OUTROS. COLOQUEI UMA JS NO SITE PARA AJUDAR A DIVULGAR, ESPERO QUE GOSTEM E ME AJUDEM A DIVULGAR MAIS E MAIS... UM GRANDE ABRAÇO A TODOS!!! ADM MUNIZ GAMES!!!
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Onde Você Gasta oSeu Não Tempo ??? (contos)

Onde Você Gasta oSeu Não Tempo ???

Esse texto é dedicado ao poeta Manoel de Barros
- Vó?- Oi! - Por que as pessoas sempre dizem que estão sem tempo? A Vovó sabia muito bem que aquilo era uma alusão a uma queixa muito frequente do pai de sua neta, seu genro, que, segundo ele, estava sempre "muito sem tempo" mas era capaz de ficar horas na frente de uma televisão em uma tarde de Domingo. - As pessoas tem muitos problemas com o tempo, meu bem... - Como assim? - As pessoas estão sempre brigando com o tempo, minha querida. Parecem aquele coelho de Alice; É tarde, é tarde, é muito tarde... - E por que estão sempre correndo atrás do tempo? - Parece que estão correndo atrás, mas na verdade estão fugindo do tempo, meu bem... A menina fez um muxoxo. Estava entendendo cada vez menos aquela história. Isso, como sempre, não passou despercebido de sua avó. - Vou contar uma historinha para te ajudar a entender esse asssunto, tá bom? - Oba! - Era uma vez um Reino onde o tempo saiu dos eixos. - Como assim? - É como se o tempo rodasse encima de um eixo de roda. De repente, o senhor do Tempo deu uma pequena cochilada e o tempo começou a sair do seu eixo principal. As pessoas do Reino a princípio não percebram o que ocorria, mas com o tempo girando em falso no seu eixo, não demoraram a acontecer algumas coisas estranhas.- O que aconteceu? - Um profeta maluco subiu até o alto da maior montanha e gritou; o Senhor do Tempo está morto! O senhor do Tempo está morto! - E o que aconteceu com as pessoas? - Elas começaram a se comportar de forma muito estranha: algumas pessoas passaram a viver do passado, outras começaram a tentar controlar o futuro. As pessoas que adoravam o passado começaram a se reunir para trocar suas histórias. Como elas tinham chegado até ali? Quem era o culpado pela sua infelicidade? Elas descobriram que seus pais estavam errados, os homens estavam errados, as mulheres estavam erradas, os governantes estavam errados. Todos estavam muito errados, e no Passado estava os culpados pelas coisas ruins que acontecem no dia de hoje. Presidentes poderiam jogar bombas em uma país indefeso cheio de pessoas ignorantes, para depois dizer que tinha sofrido abuso de uma tia desequilibrada, que nunca deixou-os ganhar o seu pônei! Como eles não tinham conseguido o seu pônei, então agora precisava comandar várias ogivas nucleares e várias bombas, que às vezes caíam em cidades cheias de crianças inocentes e aí eles falavam: desculpe, foi mal, erramos... As pessoas que viviam de passado fundaram uma Sociedade de Vítimas, e passaram a fazer ações de milhões e milhões de dólares para punir os culpados. - E quem eram os culpados? - Qualquer um, desde que tivesse muita grana. - E os controladores do Futuro? - Esses eram ainda piores. Como a pestana do Senhor do Tempo parecia muito demorada, os controladores do futuro passaram a ditar as regras de como as pessoas deveriam experimentar o tempo. Os caras fundaram o Partido do Donos do Amanhã, e passaram a dizer para todo mundo como seria o dia de amanhã. - E comos seria o dia de amanhã para eles? - Isso não importa muito. O que realmente importava é que o dia de amanhã fosse sempre muito ruim: vai faltar emprego, vai faltar comida, vai faltar luz elétrica, preparem-se para o pior, o bicho papão está sempre para te pegar. As pessoas daquele reino que passaram a obedecer os donos do amanhã começaram então a ficar com muitos medos: medo de perder o emprego, medo de ficar sem a TV a cabo, medo de sofrer algum tipo de violência da parte do bicho papão da semana. - E o que é o bicho papão da semana? - É o vilão da semana, o cara que entraria como bicho papão para aterrorizar a moçada. Numa semana era o dragão da Inflação, na outra era do desemprego, na outra a Violência urbana. Os Donos do Amanhã tomaram posse das rádios, da TV e dos jornais para dominarem o amanhã por medo do amanhã. Você entendeu? - Entendi e conheço um reino muito parecido com esse... - Porque você é uma menina muito, muito esperta... Aliás, foi uma menina como você que começou a mudar as coisas naquele estranho reino. - Como assim? - Uma menina da sua idade começou a fazer perguntas para os velhinhos, que estavam à margem de toda aquela bagunça. - Por que os velhinhos estavam à margem de tudo? - Porque eles sabiam que não adiantava entrar para o Partido da Vítimas, senão logo ouviriam: é mais um velhinho se fazendo de vítima. Nem adiantava entrar para os Donos do Amanhã, porque eles achavam que as pessoas com mais de quarenta anos já eram muito velhas, imagine os velhinhos mesmo! Para eles, não tinha amanhã. - Coitados.- Coitados nada. Por não poder ficar naquela bobagem de recuperar erros passados, ou fuxicar no futuro, os velhinhos descobriram uma coisa muito boa, que ensinaram para a menina. - O que eles ensinaram para ela? - Ensinaram a brincar de Não-Tempo. - E como é que se brinca de Não-Tempo? - É um jogo assim: pegue as coisas mais inúteis que existem na sua casa. Uma máquina de escrever, por exemplo. - E aí? - Aí você brinca de desescrever um livro. Depois você pega uma bola furada e começa a não fazer gols com ela. Depois você pega outra bola e joga para seu cachorrinho que vai trazê-la de volta, e aí você joga uma bola invisível e brinca de procurá-la durante muito tempo. A menina olhou com cara de que estava ouvindo bobagem. A Vovó, claro, percebeu. - Aquela menina, ao contrário de você, gostou da brincadeira, e saiu ensinando as pessoas de sua escola a brincar de não tempo. Isso causou um certo problema, porque as crianças já estavam muito agendadas: tinham aula de Inglês, Francês, Alemão, Judõ, Caratê, Expressão Artística, Computação Gráfica, Física Nuclear e, claro, aulas de Técnicas de Gerenciamento do Tempo, para Uma Brilhante Carreira Amanhã. Como elas começaram a brincar de não tempo, não dava tempo para ir em nenhuma dessas atividades. Os Donos do Amanhã se preocuparam; o que vai ser do futuro dessas crianças sem um Mestrado aos doze anos? Mas, como uma epidemia, as crianças e os velhos começaram a brincar de não tempo, e estranhamente, sem atropelo, ou dúvidas, conseguiam fazer tudo. Era incrível como o tempo rendia para aquelas pessoas! As crianças conseguiam estudar, fazer lição de casa e se dedicarem a sua profissão, que é serem crianças. Os velhinhos passaram a ser consultados e, como uma epidemia, as pessoas começaram a parar de querer, querer, querer... Planeja, planejar, planejar. Os profetas do Amanhã gritavam: Mãos à Obra! Aprendam a trabalhar sob Pressão! Produzam, produzam, produzam ou morram! Mas ninguém mais estava ouvindo, porque a televisão já estava mostrando a famosa receita do bolo de amora de uma Vovó, como eu e ninguém queria perder as horas que levavam para o bolo ficar pronto. Finalmente foi fundado um novo partido, o Partido do Presente, mas só podia entar no partido quem não tentasse controlar nem o Passado, nem o Futuro. Ninguém mais viu o Coelho de Alice correndo atrás do tempo depois daquele dia. - Mas e o senhor do Tempo? - O que que tem? - Não acordou do seu sono? - Acordou e achou muita graça de tudo. Só que notou algo muito estranho... - O que? - O Tempo tinha voltado sozinho para o seu Eixo. A menina fez menção de perguntar mais alguma coisa, mas percebeu as mãos cheias de nós da vovó fazendo o tricô de uma malha. Fez menção de lembrá-la que o inverno já se virava em Primavera, portanto aqule malha não teria utilidade. Quando foi abrir a boca, subitamente interrompeu a frase e se calou.- Você ía dizer alguma coisa, meu bem? - Nada não, Vó. Nada não.- Aonde você está indo? - Vou brincar de pegar borboleta sem rede. A Vovó sorriu, e seu sorriso estava empapuçado de Tempo.

A Mãe no Mundo Moderno (contos)

A Mãe no Mundo Moderno

Ainda que faça uso das palavras na tentativa de registrar a articulação possível de meus pensamentos com os objetos do mundo, reconheço limites sobre os quais se tornam difícil a tarefa de transpô-los. Nesses momentos recorro a mentes privilegiadas que com brilhantismo puderam fazê-lo antes de mim.
Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho. Carlos Drummond de Andrade - "Para Sempre"
Com a proximidade do dia das mães, senti-me na obrigação de escrever algo sem cair na tentação de fazê-lo academicamente. Ainda que, nos dias atuais, as tradições e os valores familiares estejam submetidos ao relativismo, a mãe e a função materna mantém-se como matriz sobre a qual se constituem os sujeitos do mundo. Lembremos que nós humanos, nascemos em estado de dependência total à mãe e é a ela que nos alienamos totalmente nos primeiros meses de nossa existência. Foi através de seus cuidados que nos constituímos como um corpo integrado, foi por meio de seu olhar que nos constituímos como um ser único e distinto dos demais, foi ela quem nos saciou e aplacou as angústias frente as nossas primeiras necessidades e era em seu colo que nos aconchegávamos e dormíamos protegidos pelo calor de seu corpo.Muito embora, mais adiante, tivemos que renunciar a exclusividade deste amor, pois existia papai e outros interesses por parte de mamãe, foi somente tendo cumprido este idílio de amor entre mãe e filho(a) que pudemos nos constituir como seres desejantes para o mundo.As configurações atuais, do mundo moderno, têm interferido sobremaneira nas relações entre pais e filhos. As exigências ditadas pela sociedade moderna têm relegado a estas relações, espaços cada vez mais reduzidos e desprovidos de afetividade. Isto não ocorre impunemente, haja vista, os sinais de deteriorização social, como: violência, drogadição, falta de sentido para a vida, etc. Penso que transformações em direção a relações mais humanas passam inevitavelmente pelo resgate das tradições, da espiritualidade, da contemplação, enfim... da riqueza da vida humana e, principalmente, pelo resgate do feminino, ou seja, a capacidade de dar vida.

O Poder da Meditação (contos)

O Poder da Meditação

Andar rápido, trabalhar mais distrair-se com televisão e filmes, tomar estimulantes, a simples verdade é que não conseguiremos curar o mundo se não Vivermos em uma sociedade onde o estresse suplantou a felicidade tornando-se o estado mental mais comum.Pensamentos desordenados causam a ansiedade e o desânimo das pessoas e poucas pessoas encontram a harmonia e o equilíbrio dentro de si próprias.A meditação é a cura homeopática para os males da civilização moderna.Com a prática diária podemos diminuir a ansiedade e solucionarmos os problemas com muito mais facilidade, existem várias técnicas para a meditação e todas com um excelente resultado. Devemos todos os dias reservarmos um tempo para a prática da meditação, o tempo não precisa ser muito longo (30 minutos), e com a experiência o mesmo pode ser aumentado. A prática da meditação faz com que a pessoa se conecte com sua essência divina trazendo paz, saúde e harmonia, integrando a pessoa com o universo e todos os níveis de consciência superior. Existem muitas formas de meditação, como por exemplo, a meditação baseada em chacras, yantras e mantras.Ainda que as formas de meditação variem entre si, todas empregam técnicas de concentração que nos auxiliam a deter nossas correntes de pensamentos turbulentos. Quando a mente está calma, tal como um lago sem ondulações, sentimos uma paz e poder totais.Geralmente as praticas de meditação envolvem a concentração nos centros de energia do corpo, concentração em uma imagem, entoação de mantras ou músicas, ou yantras. A meditação em mantras é realizada com a entoação de determinados sons.Mantras são palavras ou frases sagradas que ao serem repetidas levam a pessoa a um estado de consciência mais elevado. Os sons produzidos, durante este tipo de meditação, são uma forma de energia que conecta você com mundos de luz e de êxtase espiritual.Você pode entoar o mantra em voz alta, sussurá-lo ou mentalizá -lo. Talvez o mantra mais conhecido seja OM MANI PADME HUM, o qual se traduz como "a jóia no coração do lótus" ou "a Iluminação está em tudo". Ao entoar um mantra repetidas vezes durante sua meditação, você irá - com o tempo - desevolver seu poder de concentração a um grau elevado, sentindo uma enorme paz interior e clareza mental. O truque é concentrar-se nos sons e significados sagrados do mantra. Cada vez que sua mente se distrair da concentração pura, traga-a de volta para sua meditação concentrando-a no mantra.

Enfrentando Desafios (contos)

Enfrentando Desafios

Temer o novo é algo bastante peculiar aos seres humanos. Ao nos defrontarmos com o desconhecido, com algo sobre o qual não temos controle, geralmente nos sentimos com medo e ansiosos. Muito embora esta condição seja absolutamente normal, há que se distinguir duas formas de se lidar com esta situação: numa primeira, as pessoas envolvidas em circunstâncias novas (um novo romance, um novo emprego, etc), ainda que sintam receio e ansiedade, se dispõem a enfrentá-las e a apostar nos frutos destes seus empreendimentos; um segundo grupo de pessoas se refugiam em situações, que muitas vezes são fonte de intenso sofrimento, a terem que enfrentar uma nova situação. O que se tem entendido deste segundo grupo, é que, embora, tenham um repertório grande e repetitivo de reclamações em relação à vida, ao destino, ou seja lá o que for, pouco fazem para sair da condição em que se encontram. Estudando e atendendo clinicamente temos nos convencido de que embora haja um significado articulado à condição de sofrimento em que as pessoas vivem, há também um grande prazer em permanecer na mesma. O desvelamento de uma verdade, que muitas vezes a própria pessoa desconhece, não basta para tirar o paciente de sua angústia, é necessário que este renuncie a satisfação de permanecer numa situação em que os outros sejam obrigados a sentirem pena dele. Em alguns encontros ou palestras, quando expomos esta forma de conceber o trabalho terapêutico, muitas pessoas se manifestam contrariamente e nos apontam situações como desemprego, doenças, morte de entes queridos, enfim, uma série de situações em que não é possível verificar qualquer prazer envolvido. Muito bem, num primeiro momento pode parecer que não, mas mesmo em situações mais drásticas, a ajuda somente será eficaz se, enquanto terapeuta, nos posicionarmos num outro lugar que não seja o do compadecimento e do conformismo. De fato o divã não é o lugar onde necessariamente se sorri, mas entendemos que um trabalho terapêutico somente terá sentido se a pessoa sair melhor do que quando entrou. Portanto, o encaminhamento é que as pessoas sejam incentivadas a não mais viver obscurecidas pelo medo, mas sim a se lançarem em busca de algo novo e correrem o risco de serem mais feliz.
Viver e não ter a vergonha de ser feliz Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será Mas isso não impede que eu repitaÉ bonita, é bonita e é bonitaGonzaguinha
Bom, mas por que estou escrevendo tudo isto? Penso que estas questões estejam totalmente vinculadas com o momento em que todos estamos vivendo. A modernidade nos convoca, a todo instante, a reinventar outros modos de nos relacionarmos com o mundo. No meu caso, o novo se apresenta através da parceria com a Sorria.com.br e com sua seleta comunidade. Assumir uma coluna neste espaço, escrevendo sobre as vicissitudes da vida cotidiana e articulá-las aos aspectos da vida psíquica, numa linguagem acessível, será estimulante e desafiador.

Mente Pequena/ Mente Grande 4 (contos)

Mente Pequena/ Mente Grande 4

Exercícios de Consciência Ampliada
- Onde a gente tinha parado mesmo?
- Eu estava pensando em aprofundar nas questões que levantamos na última entrevista.
- Quais questões?
- As questões do Mundo do Realizado e do mundo do Irrealizado.
- Pois não.
- Eu estou pegando aqui uma declaração do senhor em outra passagem, em que dizia:
"Não acredito em felicidade. Acredito em realização".
- Não me lembro de quando disse isso, mas a frase é legal.
- Modéstia à parte.
- (Risos) Modéstia à parte.
- O senhor pode falar sobre essa frase ou vamos ficar apenas apreciando a sua sonoridade?
- (Risos) Podemos falar sobre ela, por que não? O que você acha dessa frase?
- Acho que temos alguns séculos de culto à idéia de felicidade, milhares de contos de fada e filmes de Hollywood falando da busca da tal da Felicidade, para o senhor detonar com tudo isso com uma frase de sete palavras.
- Pôxa, me desculpe se essa frase tirou o sentido da sua vida (Risos). A Felicidade é um mito que arrecada bilhões de dólares em livros de Auto-Ajuda. Todo mundo fica atrás dessa quimera, o que causa mais sofrimento do que felicidade. Eu prefiro imaginar que Realização é mais concreto que Felicidade. Eu posso realizar a minha carreira, essa entrevista, um bom livro. Eu posso chegar no final de minha vida e ver que realizei mais do que omiti, participei do jogo da vida da melhor forma possível, não fiquei do lado da estrada chorando porque a vida é muito empoeirada, ou porque não consigo encontrar essa tal de felicidade.
- Voltamos à questão do Aqui/Agora.
- Sim. A felicidade é uma coisa que está sempre no futuro, sempre em outro lugar que não no Aqui/Agora. A realização é para já. Quando acabarmos essa entrevista, provavelmente não teremos encontrado a Felicidade, mas estaremos felizes por realizar algo que, antes de sentarmos aqui, era apenas um potencial, apenas uma possibilidade entre tantas outras.
- A Mente Grande quer a realização?
- Sim. A Mente Grande gosta das coisas realizadas, mas não deixa de sonhar com elas. Nem fica sentada sobre o que já realizou. Também não perde tempo lamentando o que não consegue realizar.(Coça a cabeça, como se estivesse lhe ocorrendo mais uma idéia) Eu tenho outra frase para você.
- Oba! Pode falar.
- (Fez uma pose teatral, como um trovador bradando sobre a ribalta)
"O pior cego é o que não enxerga o Invisível".
Olhou para mim com o canto dos olhos, de uma forma engraçada, como que esperando aplausos. Eu aplaudi, mas com uma cara de quem não tinha entendido nada.
- Você não entendeu, não é?
- Não.
- Eu sabia.
- Podes iluminar essas trevas, Mestre?
- (Risos) Posso! ... Posso!... Mas não vou! Parei no meio da risada.
- Por que não?
- Primeiro, precisas pensar nessa frase, insolente aluna... Usai vossos neurônios!
- (Risos)Sabe o que me lembra essa frase?
- Diga!
- Uma vez perguntaram para o Mike Jordan como ela conseguia voar dentro da quadra. Ele era apelidado de Air Jordan por isso: parecia estar sempre voando até a cesta. Sabe o que ele respondeu?
- Não.
- Ele respondeu que ele como que enxergava uma escada no ar e ia subindo por ela.
- Ele subia por uma escada invisível.
- Exato.
Ergueu os braços como se estivesse comemorando um gol.
- Você captou exatamente o espírito da coisa, amada aluna! Agradeci como se recebesse uma salva de palmas.
- Obrigada. Obrigada.
- A Mente Pequena não enxerga o Invisível. Precisa de tudo lá, debaixo dos olhos, para palpar, cheirar, provar. A Mente Pequena não enxerga a escada invisível que leva à cesta. Que imagem genial você me trouxe!
- Meus neurônios não estão tão mal assim.
- Viu? Os seus neurônios estão em boa forma.
- Esse é o cego que não enxerga o invisível?
- Do que você está falando?
- Quem não enxerga o Invisível não enxerga a escada invisível?
- A maioria deles nem acredita no Invisível.
- Talvez porque o invisível seja muito vazio.
- Captaste outra questão fundamental, Gafanhoto!
- Gafanhoto?
- Você nunca assistiu aquele seriado dos anos setenta, Kung Fú?
- Nos anos setenta eu usava fraldas, amado mestre.
- No seriado, o mestre chamava o seu discípulo de Gafanhoto. Deixa prá lá...Deixa pra lá... Não se pode confiar numa entrevistadora que nunca assistiu Kung Fú, nem Columbo, nem Bonanza...
- Ai, meu Deus... Vou procurar na TV a cabo.
- "A Feiticeira" você assistiu...
- Assisti! - Muito bem! (Risos) Você não é um caso tão perdido, afinal...
- Onde a gente estava mesmo?
- Na escada invisível.
- Não. Tinha outra coisa.
- A escada invisível esta bem no meio do Vazio.
- Isso. Mas fui eu quem falou do Vazio.
- Sim. Foi você.
- Obrigada.
- Disponha. Posso continuar, Gafanhoto?
- Pode.
- Michael Jordan olha para a cesta, está com a bola nas mãos...
- OK.
- Entre ele e a cesta há um imenso vazio.
Não entendi onde ele queria chegar, mas não interrompi o raciocínio.
- A Mente Grande consegue enxergar as escadas que estão dentro do Vazio e caminhar sobre elas como o astro de basquete que "caminha no ar". A Mente Pequena chora porque ninguém aparece com uma escada ou, de preferência, um helicóptero para levar a bola até a cesta. Para ela, o Vazio é sempre o Impossível. Para a Mente Grande, o Vazio é o Provável.
Bebeu um pouco d`água e levantou a mão, como que pedindo tempo para completar o pensamento.
- A Mente Grande percebe que o Vazio é Potencialidade.
- Potencialidade?
- Isso. O Vazio tem em si um manto, uma trama de infinitas possibilidades que podem começar a se arranjar em suas escadas invisíveis. Para a Mente Pequena, o Vazio é apenas vazio. Para a Mente Grande, vazio é Possibilidade Infinita. Minha cara deve ter sido de muita dúvida nesse momento.
- Você quer um exemplo, não é?
- Quero... Muito.
- (Risos) O que é para você, um Grande Vazio?
- Ficar sem namorado (Risos)
- (Rindo também) Quando você fica sem namorado, o que você faz?
- Ligo para os namorados antigos (Risos).
- Viu? Você não agüenta nem um tempinho sozinha?
- Nem cinco minutos.
- Alguma vez alguma coisa pediu para você esperar um pouco?
- Para dizer a verdade, sim. A conversa foi ficando séria. - Mas você não agüentou...
- Não. Eu nunca agüento ficar sozinha.
- Mesmo que isso garanta um monte de namorados tranqueiras.
- Com certeza.
- Posso te perguntar uma coisa pessoal?
Fechei os olhos. - Manda.
- O que fica sempre Vazio nos seus relacionamentos?
Acho que mordi o lábio inferior com tanta força que quase tirei sangue dele.
- Eu tenho sempre a impressão que o namorado não está lá.
- Você sente o Vazio como uma grande solidão.
- Sim.
- Você não acredita no seu potencial de ter alguém do seu lado.
- Para dizer a verdade, não.
- Por isso você não agüenta ficar só.
- Acho que sim. Ele me olhou de forma muito terna, o que quase me fez chorar.
- Eu tenho jeito, doutor?
- Acho que não. Essa Mente Pequena é um caso perdido
Falou em tom de brincadeira, mas bem que eu fiquei com medo que dissesse a verdade.
- Isso é uma Mente Pequena?
- Isso o que?
- A gente acreditar que as coisas não vão se realizar nunca?
- Será que você não acredita, ou não quer acreditar?
Uma lágrima ridícula desceu pela minha face. Ele fingiu não vê-la.
- Venha na próxima semana que a gente vai começar a lidar com esse vazio. Por que os analistas terminam a sessão na hora mais decisiva?
- Ei, menina - falou enquanto eu arrumava as minhas coisas.
- Oi?
- Você quer mesmo ir fundo nisso?
- Quero. - Você vai incluir isso na sua entrevista?
- Se o senhor não se incomodar...
- Eu não me incomodo. Eu temo que você se incomode.
- Pôxa, vai ser tão ruim assim? Ele passou a mão pelo meu ombro.
- Acho que não. Acho que não.
Eu sorri, nervosa, mas fiquei com muito medo do "Acho". Mas o medo do desconhecido torna as nossas mentes muito pequenas. Isso eu já tinha aprendido. Mas o meu aprendizado estava apenas começando...

Mente Pequena/ Mente Grande 3 (contos)

Mente Pequena/ Mente Grande 3

Exercícios de Consciência Ampliada
- Tem uma coisa que me preocupa nessa conversa.
- O que?
- O senhor fala em excessos de intencionalidade.
- Como assim?
- As pessoas de Mente Pequena tem sempre uma idéia só na cabeça.
- As pessoas de Mente Pequena são obcecadas por uma coisa de cada vez.
- O senhor pode nos dar exemplos?
- Claro. Imagine que nós temos dois grandes Mundos.
- Dois mundos?
- Exato. Dois mundos. O Mundo das coisas Realizadas, e o Mundo das coisas Irrealizadas. Certo?
- Certo.
- Quando a gente acorda, pela manhã, você acha que a nossa preocupação é com o primeiro ou o segundo Mundo?
- Com certeza, todos acordamos obcecados pelas coisas Irrealizadas.
- Perfeito. Estamos preocupados com a tarefa que ainda não foi concluída, a conta que ainda não foi paga, o projeto que ainda não saiu do papel...
- Estou ouvindo.
- Todos temos a tarefa da Realização, que, como o nome já diz, consiste em trazer para o Real as coisas que estão apenas no mundo das idéias.
- Fale um pouco mais sobre isso.
- Imagine que você vem ao mundo com uma série de potencialidades, inscritas na sua mente e nos seus genes. Como um gigantesco baralho, e que você recebesse uma certa quantidade de cartas. A sua tarefa é desenvolver o melhor jogo possível com as cartas que você tem, de preferência sem deixar o jogo parar.
- Idéia interessante, essa.
- Obrigado. Quando você joga bem com as suas cartas, vai conseguindo comprar outras melhores, até ficar com o melhor jogo possível nas mãos, correto?
- Corretíssimo.
- Todo mundo que vem a este planeta tem essa tarefa: jogar da melhor forma possível, com o tempo e com as cartas que temos à nossa disposição. Com esforço, com perseverança, vamos transformando um jogo ruim em um jogo bom.
- Se tivermos a Mente Grande.
- Agora você chegou ao ponto. A Mente Pequena tem sempre as melhores desculpas para tudo: o outro tem um pai mais rico, a outra é mais bonita, eu ganhei as cartas piores, meu jogo é impossível de melhorar! Coitado de me Euzinho, ele está sempre sendo prejudicado por algo ou por alguém. Eu sempre sou vítima das circunstâncias! E assim por diante...
- A Mente Pequena não quer jogar.
- Pior do que isso, a Mente Pequena Não Deixa jogar. Quem só quer vencer o tempo todo, acaba estragando o jogo. A Mente Pequena pretende controlar o jogo. Um jogo controlado não é um jogo.
- É uma farsa.
- É uma farsa, exatamente... A Mente Pequena não deixa o jogo ir para frente, ou quer ficar grudada em alguém que a carregue em frente, sem precisar jogar o jogo.
- Espere um pouquinho. É por isso que a Mente Pequena tem excesso de intencionalidade?
- (Pensativo) Acho que agora estou entendendo a relação que você está querendo estabelecer. É isso mesmo, meu bem. A Mente Pequena tem uma intenção só, que é ganhar. Os verdadeiros campeões querem muito mais do que ganhar.
- O senhor pode dar um exemplo mais concreto?
- Claro que posso. O Brasil estava jogando a fase classificatória da Liga Mundial de Vôlei. Já estava em primeiro lugar na chave, o último jogo era contra uma seleção mais fraca, que já estava desclassificada. No primeiro set, o time entrou relaxado e perdeu. O técnico Bernardinho deu uma tremenda bronca nos caras, eles jogaram sério e ganharam os outros três sets sem problemas. Tudo tranqüilo. Certo?
- Certo.
- Errado (Risos). Completamente errado. Toda a crônica presente apressou-se em afirmar que a queda de concentração tinha sido natural, o jogo não tinha tanto valor em termos de classificação e o time, afinal de contas, tinha se acertado bem dentro da quadra. Só uma pessoa discordava dessa visão.
- Quem?
- O Bernardinho. Ele estava puto da vida no final do jogo, se me perdoa a expressão forte.
- Por que ele estava puto da vida?
- Porque ele queria muito mais do que a vitória. Ele vociferou que o time estava com a cabeça em outro lugar, já pensava na próxima fase, aquilo estava errado, muito errado! O time precisava encerrar muito bem essa fase para poder se preparar para a outra. Ele queria muito mais do que a classificação.
- O que ele queria?
- Ele queria um time concentrado no Aqui-Agora! Jogando qualquer ponto como se fosse o último, sem relaxar antes da hora. Ele queria um time de campeões em todos os lugares, em todas as situações. Ele queria um time com fome de continuar o jogo, com fome de jogar o jogo ponto a ponto. Não um time só preocupado com o regulamento.
- É verdade.
- Quando chegou à final, houve um momento que foi o mais dramático de todos.
- Qual?
- Estava dois sets a um para o adversário. Ele abriram cinco pontos no quarto set. Tudo parecia perdido. Se a cabeça dos jogadores pensasse: eu preciso tirar esses cinco pontos de vantagem, depois preciso ganhar o Tie Break e só aí vou ser campeão...Isso não desanima qualquer um?
- Sim.
- Qual era o roteiro de um time normal? Dar um último gás, disputar bem o último set e rumar para uma derrota honrosa, que naquele momento parecia inevitável, não é?
- Esse seria o comportamento de um time com Mente Pequena.
- Exato.
- Mas não foi assim que o time pensou.
- Não. De jeito nenhum. O time disputou cada ponto como se fosse o último. O time não jogou para vencer: Jogou para não deixar o jogo terminar.
- A vitória foi apenas a conseqüência dessa Mente Grande.
- Perfeito! Agora você pegou mesmo o espírito da coisa! A vitória é Sempre uma Conseqüência para a Mente Grande. Primeiro você joga, imerso no Aqui-Agora. Depois a Vitória vem, como uma Conseqüência. Sabe o que isso significa?
- Não.
- Que a Vitória pode sempre ser almejada, nunca planejada.
- Mas o Bernardinho é justamente conhecido por planejar absolutamente tudo.
- Ele pode planejar absolutamente tudo. Menos a Vitória. A Vitória é a posteriori. A priori é a Mente Grande do vencedor, que quer gozar o Jogo minuto a minuto, não só o último ponto. Aliás, teve um detalhe que pouca gente notou.
- Qual?
- Quando o time ganhou o último ponto, todo mundo ficou parado, olhando para o juiz, meio incrédulo daquele jogo maravilhoso finalmente ter acabado.
- É mesmo? Eu não notei isso não.
- Pois é. Sabe quem foi o primeiro que saiu pulando feito uma perereca comemorando a Grande Vitória?
- Não.
- Foi o Bernardinho. Só quando os jogadores viram o chefe pulando para dentro da quadra perceberam que eram Os Campeões. Era como se eles tivessem esquecido que a coisa versava sobre ser ou não ser campeão. E estavam preparados para jogar até o fim dos tempos, para não deixar o jogo acabar.
Fiquei um pouco em silêncio, saboreando aquela imagem linda. Ele bateu em meus ombros.
- Hoje você entendeu bem a nossa conversa, não foi?
- E quero entender cada vez mais, cada vez melhor.
Rimos gostosamente.
- Na próxima conversa, eu vou querer saber mais sobre o Mundo do Realizado e do Irrealizado, OK?
- Claro. O que você disser. Saí de lá pensando em jogos e disputas. Como a própria Vida. Um trecho de uma música do Lobão me ocorreu: "Vida louca, vida/ Vida imensa"...
Foi a última coisa que eu pensei antes de pegar o elevador.
Vida imensa.

Mente Pequena/ Mente Grande 2 (contos)

Mente Pequena/ Mente Grande 2

Exercícios de Consciência Ampliada
- Vamos voltar para o conceito: O que o senhor considera uma Mente Grande?
- Imagine que a Mente não é uma coisa que está apenas dentro do Cérebro, ou do Sistema Nervoso Central.
- OK.
- Imagine que a Mente pode evoluir como em campos de gravidade, como planetas do Sistema Solar.
- Por favor, explique bem esta parte.
- Digamos que aqui está você (Desenhou um ponto bem no meio da folha). Envolta desse ponto, onde está a consciência, a sua consciência, existem as coisas imediatas do seu dia a dia. Do que chamamos de Real. A sua identidade, a sua história pessoal, o seu nome, seus afazeres, suas necessidades fisiológicas. Certo?
- Certo.
- Envolta desse campo de gravidade, temos um maior: suas idéias, seus anseios, seus planos e ideais mais profundos. O seu estado de humor, suas inspirações, as idéias que você tem na cabeça quando começa esta entrevista.
- Beleza.
- Mais aberto aqui está um campo de gravidade mais amplo. Aqui está o Atemporal, o mundo platônico das idéias fundamentais. O que Jung chamou de Arquétipos. Imagine que, quando iniciamos essa conversa, atingimos o Arquétipo da Conversa.
- Estou ouvindo.
- Quando estamos conversando, entramos em contato com todas as pessoas, que, na história da Consciência Humana, tentaram conhecer e conceber o mundo através de diálogos. Você está entendendo?
- Não.
- (Risos) Você tinha um plano do que perguntar nessa entrevista, não tinha?
- Tinha.
- Ele está sendo cumprido?
- Nem uma linha.
- (Risos) Então... Quando a gente começa um diálogo, temos idéia do que queremos conversar e aonde queremos chegar, mas não temos controle sobre isso, não é?
- Só as entrevistas ruins são controláveis.
- Porque as entrevistas ruins são feitas com a Mente Pequena. - Como assim? - As entrevistas ruins são excessivamente intencionais. O entrevistador quer ouvir uma coisa, o entrevistado quer falar uma coisa, os dois tentam fazer as intenções se encontrarem em algum ponto.
- De preferência, combinam de antemão o que um vai perguntar e o que o outro vai responder.
- Exato. Tudo intencional, tudo sob controle.
- Entendi.
- Quando fazemos uma entrevista com a Mente Grande, estamos abertos para uma infinidade de rumos que a conversa pode tomar. Se, progressivamente, eu me desprender do meu ego de entrevistado e você do seu ego de entrevistadora...
- Não sei qual dos passos seria mais difícil...
- (Risos) Pois é, você pegou bem. A Mente Pequena deixa tudo aqui, perto do Eguinho Central (Apontou o ponto central do desenho), sob controle, sob vigilância, com várias estatísticas controlando se os objetivos estão sendo cumpridos.
- E a Mente Grande caminha para o Infinito.
- Viu como você consegue entender perfeitamente, minha querida?
- Também, com um professor desses...
- Quanto maior a amplitude da consciência, mais o Ego perde seu poder central e vai se abrindo a esferas cada vez mais amplas de Consciência.
- Qual seria o próximo campo de gravidade?
- O mundo Transpessoal, a Supra Consciência. O mundo dos Espíritos, das esferas de consciência que estão fora do Tempo-Espaço em que vivemos. Também conhecida como esfera do Espírito Santo.
- E depois?
- Depois entramos em esferas que não podem ser descritas com palavras. D.T. Suzuki, um mestre Zen famoso só conseguia falar: Wonderful, Wonderful! Quando atingiu esse ponto.
- Maravilhoso, maravilhoso?
- O inglês dele não é lá essas coisas, mas foram as únicas palavras que ele encontrou para descrever o que ele viu.
- O que o senhor acha que ele viu?
- Ele chegou num ponto em que a Mente Grande se dissolve em Deus.
- Tem mais expansão depois disso?
- Tem, claro que tem. Mas está além da Mente, além da idéia de Deus, além da Forma e da Percepção. É indescritível.
- O senhor já chegou lá?
- Nem de raspão.
- (Risos) Isso quer dizer que nessa entrevista nós não temos nenhuma chance de chegar nem perto dessas altas esferas?
- Nesta entrevista, nós podemos chegar muito longe.
- Se a Mente não for pequena?
- Se a Alma não for pequena, como diria o poeta.
- Com certeza, ela valerá a pena.
- Tomara.

Mente Pequena/ Mente Grande (divã)

Mente Pequena/ Mente Grande


Exercícios de Consciência Ampliada
- Antes de começar eu gostaria de saber: existe uma mente pequena e uma mente grande?- Vai começar questionando o título da entrevista?- (Risos) Pode ser um bom começo, não acha? - Também pode encerrá-la (Risos)... Mas sua pergunta procede. Não existe uma mente pequena. A mente é sempre grande. - O que é uma mente pequena? - Talvez o melhor seja dizer sobre uma mente que Se Apequena, não é? Uma mente pequena é uma mente que não se movimenta. - Por favor, fale mais sobre isso. - Vamos começar pensando em termos de amplitude:uma consciência mais limitada fica presa em si. Uma consciência ampliada circula e se projeta para fora ou para dentro de si. Eu devo ter feito uma cara muito desanimadora, pois ele perguntou de pronto.- Você não está entendendo, não é? - Mais ou menos. - Vou te dar uma idéia melhor: a mente pequena não brinca, ou brinca demais. A mente grande faz as coisas como se estivesse em um jogo. Continuei olhando, encorajando-o a continuar. - A mente pequena pensa em uma coisa só. Tem um
objetivo só em tudo o que faz: eu quero ganhar sempre. Eu quero ser amada sempre. Eu quero chamar a atenção sempre. A mente pequena é cheia de sempres. - E a mente grande... - A mente grande sabe que nada nesse mundo é sempre. A vitória se alterna com as derrotas, o sucesso com o fracasso, a popularidade com a solidão. A mente grande se abre para todas as possibilidades. A mente pequena só se abre para uma possibilidade de cada vez. - O senhor pode nos dar mais exemplos? - Claro que posso. O que você mais detesta na vida? Pensei um pouco, com o cenho franzido como de uma colegial sendo sabatinada. - Eu detesto ser desconsiderada. - Conte para mim uma situação recente em que você sentiu-se assim. - Hoje pela manhã eu fui informada que essa matéria que estamos fazendo pode não ser publicada. - Isso não é comum no seu ofício? - Sim, infelizmente é comum. Uma entrevista que você dedica semanas de trabalho pode ser abortada de acordo com o humor do editor. Eu devo ter a mente muito pequena com isso. - Todo mundo tem a mente pequena onde aperta o calo, meu bem. Como você reage a isso? - Eu reajo me esforçando para fazer a entrevista mais legal possível. - Para impressionar o editor. - Isso. Ficou um tempo em silêncio, como que escolhendo as palavras. - Como eu reagiria se eu tivesse a mente grande? Pensou mais alguns segundos. - Você esqueceria do seu editor completamente. Não haveria nada no mundo ou na sua cabeça que não fosse brincar com a infinita possibilidade que é fazer uma entrevista que provavelmente nunca será publicada.Devo ter feito uma cara ainda mais desamparada, porque ele me deu um tapinha nas costas e me falou: - Não se preocupe. Com o tempo você vai entender.

Stress e Qualidade de Vida (Divã)

Stress e Qualidade de Vida


Uma conversa com Dr. SandroSobre Stress e Qualidade de Vida
Dr Sandro, por que o Coelho de Alice tem sempre muita pressa?(Rafael, São Paulo, 12 anos por email)Querido Rafael: a sua observação é muito interessante. O Dr Sandro aqui que vos tecla é de um tempo onde as pessoas não tinham tanta pressa. Imagine que quando eu tinha a sua idade, para poder comprar pão fresco e uma garrafa de leite eu tinha que caminhar quase uma hora para ir e outra hora para voltar.Hoje você tem o leite em uma caixinha na despensa e o pão numa cesta da cozinha ou na geladeira. Hoje todos tem uma tecnologia que permite fazer tudo mais rápido. O estranho é que, apesar disso, as pessoas não tem mais tempo para ler, passear ou jogar bola. Você mesmo deve ter um monte de atividades depois que termina a lição de casa: precisa ir para aula de Inglês, computação, academia ou aula de futebol onde o técnico tenta te ensinar a vencer, não a se divertir. No final do dia, você não teve tempo para descansar, brincar ou usar a imaginação para nada. Quando acaba uma tarefa, ou um compromisso, você já deve estar preparado para outro. Acho, meu amiguinho, que as pessoas andam com muita pressa, com a sensação de sempre estar perdendo alguma coisa.Tenho a impressão que hoje as pessoas são mais tristes, porque estão sempre correndo contra o relógio, como o coelho da Alice no País das Maravilhas. As pessoas correm, correm, correm contra a passagem do tempo. É como você estar na praia apostando corrida com as ondas, em vez de pegar um jacaré e acompanhá-las.As pessoas hoje comem rápido, dormem rápido com comprimidos, amam rápido e trabalham fazendo as coisas cada vez mais rápido. Quanto mais economizam tempo, menos tempo tem para usar o tempo economizado.Complicado, não é? Hoje em dia tem muita gente com doenças do tempo fora dos eixos: Stress, Ansiedade, Depressão, Violência, Drogas, tudo isso para garantir que as pessoas vão continuar sempre com muita pressa.Pois quando passamos tanto tempo correndo para fora não podemos olhar para dentro, onde talvez resida alguma calma.Eu sei que você está preocupado com seu pai, que de tanto correr já está com pressão alta. Ensine para ele o truque de fazer, pelo menos vinte minutos por dia, as coisas muuuiiito devagar. Ele vai perceber que comendo, namorando ou simplesmente olhando para a janela muito devagar a sensação de tempo escorregando entre os dedos vai diminuir.Se o truque der certo, ele vai começar a se desacelerar todo dia. Cada dia ele vai soltar um pouco mais esse nó na gravata e na garganta. Até perceber que devagar ele aproveita e faz muito mais coisas.Quando você faz o que tem que ser feito de forma mais vagarosa, não parece que a Rainha Louca do País das Maravilhas vai querer cortar a sua cabeça quando você parar.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ferida Acesa - contos

Ferida Acesa

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- Vó !!!

- Oi !!!

- O que quer dizer isso aqui ?

- Isso o quê ?

Apontou para uma folha de rascunhos, onde estava escrito:

Marcha o homem sobre o chão Leva no coração Uma ferida acesa.

- Você leu, querida ?

- Li.

- Gostou ?

- Para dizer a verdade, não entendi muito bem.

A Vovó sorriu.

- Esse é um verso de uma música de Caetano Veloso.

- Aquele cantor que você gosta ?

- Isso.

- E o que quer dizer ?

- Quer dizer um monte de coisas, como costuma acontecer com os poetas.

- Um monte de coisa o que ?

Acariciou seus cabelos cacheados.

- Essa música diz assim:

Marcha o homem sobre o chão/ leva no coração / uma ferida acesa/ Dono do sim e do não/ diante da visão da infinita beleza/ Finda por ferir com a mão essa delicadeza/ coisa mais querida.


Continuou olhando, impaciente, entendendo cada vez menos.

- Isso quer dizer que todo mundo tem no coração uma ferida.

- Como assim ?

- Não é muito fácil de explicar, meu bem, mas Vovó vai tentar. Lembra da historinha que eu te contei, do Adão e da Eva ?

- Lembro.

- Lembra que eles ficaram muito tristes quando foram expulsos do Paraíso ?

Assentiu com a cabeça.

- Se Adão e Eva representam todas as pessoas, então todo mundo tem no coração essa saudade do Paraíso.

Todo mundo passa muito tempo na vida procurando o seu Paraíso Perdido.

- E onde é que as pessoas procuram pelo tal do Paraíso,
que ninguém encontra ?

Riu-se discretamente, para a neta não achar que ela estava fazendo graça.

- O que eu estou tentando te explicar, é que todo mundo tem no coração essa ferida, essa espécie de saudade, como se tivesse perdido alguma coisa que não consegue mais encontrar. Cada um vive de um jeito com essa dor: Algumas pessoas gritam

" - Socorro! Socorro! Eu tenho um negócio que está doendo! "

- Outras pessoas tentam ganhar muito, muito dinheiro, pensando:

"- Eu vou ter dinheiro para comprar o melhor analgésico do mundo e vou achar o Paraíso com passagem de primeira classe. "

- Tem mais algumas pessoas que dizem.

- Essa história de Paraíso é conversa mole, pra boi dormir - e saem pelo mundo castigando as pessoas pela dor que elas sentem.

- A música quer dizer tudo isso .

- Viu como o poeta consegue dizer muita coisa com poucas palavras ?

- E o resto ?

- Que resto ?

- O resto que você me cantou... ?

O resto da música... ?

- Dono do sim e do não/ diante da visão da infinita beleza

- Isso.

- O homem foi expulso do Paraíso por isso...

- Como assim ?

- O homem ganhou consciência do Bem e do Mal. Ele pode ser dono do Sim e do Não. Pode escolher fazer A ou B, pode subir ou pode descer, pode procurar ou esperar. É dono de Livre Arbítrio. Entendeu ?

Entendeu médio, mas fingiu que entendeu tudo.

- Vó !!!

- Oi !!!

- O que adianta ser dono do Sim e do Não ?

- Adianta muito e não adianta nada... Adianta muito porque todo dia você pode escolher para onde ir, o que fazer. Não adianta para um monte de outras coisas, que não dá nem para falar.

- E essa visão ?

- A visão da infinita beleza ?

- Essa mesmo.

- O homem fica muito ocupado sendo dono do Sim e do Não e decidindo o que fazer com eles... Não consegue ver a infinita beleza da vida. A infinita beleza e a infinita delicadeza das coisas que estão debaixo de nosso nariz.

- E aí - Aí ele se preocupa demais em ser dono de Sim para as coisas que quer e do Não para todo mundo, e sai por aí falando Sim-Não, Sim-Não, Sim-Não para todos os lados... O resultado vem depois, na música.

- Como assim ?

- Na parte que a letra diz:
Finda por ferir com a mão essa delicadeza/ Coisa mais querida.

- O que isso quer dizer - Isso quer dizer que as pessoas não sabem da ferida acesa no seu coração, não sabem que são donas de Sins e de Nãos e acabam ferindo a delicadeza da vida: machucam tudo o que é delicado e indefeso.

- Como as crianças ?

- Machucam as crianças, as plantas e os bichos. Mas machucam sobretudo elas mesmas. A menina ficou com os olhos apertados por uma suave angústia.

- Vó !!!

- Oi !!!

- É por isso que as pessoas grandes são tão infelizes ?

A avó soltou um discreto suspiro.

- É por isso mesmo, meu bem.

- Elas não sabem cuidar da própria ferida ?

- Acho que não.

Continuou pensativa, com ar de densa gravidade.

- E o que a gente pode fazer para ajudar ?

Aconchegou-a mais perto.

- A gente deve cuidar de tudo o que é belo e delicado, meu bem. Começando pelo nosso próprio coração. Só de parar de espalhar mais tristeza, as feridas do mundo começam a melhorar.

Tomou fôlego, numa postura que a Vovó sabia trazer uma pergunta mais definitiva e importante.

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- Vó !!!

- Oi !!!

- Por que você deixa esse verso escrito encima da mesa ?

Foi a Vovó que tomou fôlego dessa vez.

- A Vovó gosta muito desse verso, querida. Mas não é por isso que ela o deixa aí na mesa, não.

- E por que ele fica aí, então ?

- É para a Vovó se lembrar que, por mais estúpidas que sejam as pessoas, elas o são por não saber lidar com essa ferida.

- Essa ferida acesa ?

Suspirou mais uma vez.

- Essa ferida tão difícil de apagar.

Achegaram-se as duas.

A menina notou um passarinho pulando na árvore, suavemente, sem quebrar os galhos mais delicados.

Era um movimento de infinita beleza.

Felicidade... - contos

Felicidade...

Oi !

Meu nome é Felicidade...

Faço parte da vida daqueles que tem amigos,
pois ter amigos é ser Feliz.

Faço parte da vida daqueles que vivem cercados
por pessoas como você,
pois viver assim é ser Feliz.

Faço parte da vida daqueles que acreditam que ontem é passado, amanhã é futuro
e hoje é uma dádiva, por isso chamado de presente.

Faço parte da vida daqueles que acreditam na força do Amor, que acreditam que para uma história bonita não há ponto final.

Eu sou casada sabiam ?

Sou casada com o Tempo.

Ah! O meu marido é lindo.

Ele é responsável
pela resolução de todos os problemas.

Ele reconstrói corações,
ele cura machucados, ele vence a Tristeza...

Juntos, eu e o Tempo tivemos três filhos:

A Amizade, a Sabedoria, e o Amor.

A Amizade é a filha mais velha. Uma menina linda, sincera, alegre. A Amizade brilha como o sol.
A Amizade une pessoas,
pretende nunca ferir, sempre consolar.

A do meio é a Sabedoria, culta, íntegra, sempre foi mais apegada ao Pai, o Tempo.
A Sabedoria e o Tempo andam sempre juntos!

O caçula é o Amor. Ah! como esse me dá trabalho!
É teimoso, às vezes só quer morar em um lugar...
Eu vivo dizendo:
Amor, você foi feito para morar em dois corações, não em apenas um.
O Amor é complexo, mas é lindo, muito lindo!

Quando ele começa a fazer estragos
eu chamo logo o pai dele,
o Tempo,
e aí o Tempo sai fechando todas as feridas que o Amor abriu...

Uma pessoa muito importante me ensinou uma coisa:

Tudo no final sempre dá certo, se ainda, não deu,
é porque não chegou o final.

Por isso, acredite sempre na minha família.

Acredite no Tempo, na Amizade, na Sabedoria e, principalmente no Amor.

Aí, com certeza um dia, eu, a Felicidade,
baterei à sua porta.

Tenha Tempo para os Sonhos,
eles conduzem sua carruagem para as Estrelas.

Tenha um ótimo dia...

Tenha um ótimo fim de semana...

E não esqueça...

Sorria Sempre...

As Duas Jóias - contos

As Duas Jóias

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Narra antiga lenda árabe, que um rabino, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família, esposa admirável e dois filhos queridos.

Certa vez, por imperativos da religião, o rabino empreendeu longa viagem, ausentando-se do lar por vários dias.

No período em que estava ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados.

A mãe sentiu o coração dilacerado de dor.

No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura.

Mas uma preocupação lhe vinha a mente: como dar ao esposo a triste notícia ?

Sabendo que ele tinha o coração fraco, temia que não suportasse tamanha comoção.

Lembrou-se de fazer uma prece.

Rogou a Deus auxílio para resolver a difícil questão.

Alguns dias depois, num final de tarde, o rabino retornou ao lar.

Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos...

Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços.

Alguns minutos depois estavam ambos sentados a mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos.

A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido:

- Deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave.

O marido, já um pouco preocupado perguntou:

- O que aconteceu ? Notei você abatida ! Fale e resolveremos isso juntos, com a ajuda de Deus.

- Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas. Jamais vi algo tão belo e o problema é esse. Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas.
O que você me diz ?

- Ora mulher! Não estou entendendo o seu comportamento. Você nunca cultivou vaidades. Por que isso agora ?

- É que nunca havia visto jóias assim! São maravilhosas!

- Podem até ser, mas não lhe pertencem. Terá que devolvê-las.

- Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las!

E o rabino respondeu com firmeza: Ninguém perde o que não possui.
Retê-las equivaleria a roubo.

- Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.

- Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido.
Na verdade isso já foi feito. As jóias preciosas eram nossos filhos.

- Deus os confiou a nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los.
Eles se foram...

O rabino compreendeu a mensagem.
Abraçou a esposa, e juntos derramaram muitas lágrimas.

Os Doze Trabalhos - contos

Os Doze Trabalhos



...E naquela manhã DEUS chamou suas doze crianças
e em cada uma delas plantou a semente da vida humana.
Uma por uma,
cada criança deu um passo à frente
para receber o Dom e a função que lhe cabia.

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A ti, Áries , dou a primeira semente para que tenhas a honra de plantá-la. Para cada semente que plantares, mais outro milhão de sementes se multiplicará em suas mãos. Não terás tempo de ver a semente crescer pois tudo o que plantares criará cada vez mais e mais para ser plantado. Tu serás o primeiro a penetrar o solo da mente humana levando Minha Idéia. Mas não cabe a ti alimentar e cuidar dessa Idéia, nem questioná-la. Tua vida é ação, e a única ação que te atribuo é a de dar o passo inicial para tornar os homens conscientes da Criação.
Por este trabalho Eu te concedo a Virtude do Respeito por Si mesmo.

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Touro ,a ti,Eu dou o poder de transformar a semente em substância. Grande é a tua tarefa, e requer paciência; pois tem que terminar tudo o que foi começado, para que as sementes não sejam desperdiçadas pelo vento. Não deves assim questionar, também não deves mudar de idéia no meio do caminho, nem depender dos outros para a execução do que te peço.
Para isso Eu te concedo o Dom da Força. Trata de usá-la sabiamente.

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A ti, Gêmeos , Eu dou as perguntas sem respostas, para que possas levar a todos um entendimento daquilo que o homen vê ao seu redor. Tu nunca saberás porque os homens falam ou escutam.
E em tua busca pela resposta encontrarás o Meu Dom reservado a Ti: O Conhecimento.

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A ti, Cancer , atribuo a tarefa de ensinar aos homens a emoção. Minha idéia é que provoques neles risos e lágrimas, de modo que tudo o que eles vejam e sintam desenvolva uma plenitude desde dentro.
Para isso, Eu te dou o Dom da Família, para que sua plenitude possa me multiplicar.

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A ti, Leão ,atribuo a tarefa de exibir ao mundo Minha Criação em todo o seu esplendor. Mas deves ter cuidado com o orgulho, e sempre lembrar que é Minha a criação e não tua. Se o esqueceres serás desprezado pelos homens. Há muita alegria em teu trabalho, basta fazê- lo bem.
Para isso, Eu te concedo o Dom da Honra.

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A ti, Virgem ,peço que empreendas um exame de tudo o que os homens fizerem com Minha Criação. Terás que observar com perspicácia os caminhos que percorrem, e lembrá- los de seus erros, de modo que através de ti minha Criação possa ser aperfeiçoada.
Para que assim o faças, Eu te concedo o Dom da Pureza.

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A ti, Libra ,dou a missão de servir, para que o homem esteja ciente de seus deveres para com os outros, para que ele possa aprender a cooperação, assim como a habilidade de refletir o outro lado de suas ações. Hei de te levar onde quer que haja discórdia.
Por teus esforços te concederei o Dom do Amor.

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A ti, Escorpião ,darei uma tarefa muito difícil. Terás a habilidade de conhecer a mente dos homens, mas não te darei permissão de falar o que aprenderes. Muitas vezes te sentirás ferido por aquilo que vês e em tua dor te voltarás contra Mim, esquecendo que não sou Eu, mas a perversão de Minha Idéia, o que te faz sofrer. Verás tanto e tanto do homem quanto animal, e lutarás tanto com os instintos em ti mesmo, que perderás o teu caminho.
Mas, quando finalmente voltares, terei para ti o Dom Supremo da Fidelidade.

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A ti, Sagitário , eu peço que faças os homens rirem, pois entre as distorções da Minha Idéia eles se tornam amargos. Através do riso darás aos homens a esperança, e por ela voltarás seus olhos novamente para Mim. Chegarás a ter muitas vidas, ainda que só por um momento,
e em cada vida que atingires, conhecerás a inquietação.
A ti darei o Dom da Infinita Abundância, para que te possas expandir o bastante, até atingir cada recanto onde haja escuridão e levar aí a luz.

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De ti, Capricórnio ,quero o suor de tua fonte, para que possas ensinar aos homens o trabalho. Não é fácil tua tarefa, pois sentirás todo o labor dos homens sobre teus ombros.
Pelo jugo de tua carga, te concedo o Dom da Responsabilidade.

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A ti, Aquário dou o conceito de futuro, para que através de ti, o homem possa ver outras possibilidades. Terás a dor da solidão, pois não te permito personalizar o Meu amor. Para que possas voltar os olhares humanos em direção a novas possibilidades, Eu te concedo o Dom da Liberdade, de modo que, livre, possas continuar a servir a humanidade onde quer que ela esteja.

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E finalmente, a ti, Peixes ,dou a mais difícil de todas as tarefas. Peço-te que reúnas todas as tristezas dos homens e as traga de volta para Mim. Tuas lágrimas serão, no fundo, Minhas lágrimas. A tristeza e o padecimento que terás de absorver são o efeito das distorções impostas pelo homem à Minha Idéia, mas cabe a ti levar até ele a compaixão, para que possa tentar de novo.
Por esta tarefa eu te concedo o Dom mais alto de todos: tu serás o único de Meus doze filhos que Me compreenderá. Mas este Dom do Entendimento é só para ti, Peixes, pois quando tentares difundi- lo entre os homens, eles não te escutarão.

Cada um de vós é perfeito,
mas não compreendereis isso até que vós doze sejais Um.
Agora vão....

E as doze crianças foram embora executar suas tarefas entre os homens.

A Corda e a Fé - contos

A Corda e a Fé
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Esta é a história de um alpinista
que sempre buscava superar mais e mais desafios.

Ele resolveu, depois de muitos anos de preparação,
escalar o Aconcágua.

Ele queria a glória somente para si e resolveu então
escalar sozinho sem nenhum companheiro,
o que não seria natural
no caso de uma escalada dessa dificuldade.

Ele começou a subir e foi ficando cada vez mais tarde.

Porém ele não havia se preparado para acampar
e resolveu seguir a escalada, decidido a atingir o topo.

Escureceu,
e a noite caiu como um breu nas alturas da montanha,
e não era possível mais enxergar um palmo à frente do nariz,
não se via absolutamente nada.

Tudo era escuridão, zero de visibilidade,
não havia Lua e as estrelas estavam cobertas pelas nuvens.

Subindo por uma parede,
a apenas 100 metros do topo, ele escorregou e caiu...

Caía a uma velocidade vertiginosa, somente conseguia ver as
manchas que passavam cada vez mais rápidas na escuridão.

Sentia apenas uma terrível sensação
de estar sendo sugado pela força da gravidade.

Ele continuava caindo e, nesses angustiantes momentos,
passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes
que ele já havia vivido em sua vida.

De repente ele sentiu um puxão forte
que quase o partiu pela metade ... shack!

Como todo alpinista experimentado,
havia cravado estacas de segurança com grampos a uma corda comprida que fixou em sua cintura.

Nesses momentos de silêncio,
suspenso pelos ares na completa escuridão,
não sobrou para ele nada além do que gritar:

- Oh, meu Deus! Me ajude!

De repente uma voz grave e profunda respondeu:

- O que você quer de Mim, meu filho ?

- Me salve, meu Deus, por favor!

- Você realmente acredita que Eu possa te salvar ?

- Eu tenho certeza, meu Deus.

- Então corte a corda que mantém você pendurado...

Houve um momento de silêncio e reflexão.

O alpinista se agarrou mais ainda a corda
e pensou que se largasse a corda morreria...

Conta o pessoal de resgate que no dia seguinte encontraram um alpinista congelado,
morto, agarrado com as duas mãos a uma corda ...
a não mais de dois metros do chão.

E você... ???

Está segurando a corda... ???

Compaixão - contos

Compaixão





Era uma vez um velho muito velho,
quase cego e surdo, com os joelhos tremendo.

Quando se sentava à mesa para comer,
mal conseguia segurar a colher.

Derramava a sopa na toalha e, quando afinal, acertava a boca,
deixava sempre cair um bocado pelos cantos.

O filho e a nora dele achavam que era uma porcaria
e ficavam com nojo.

Finalmente, acabaram fazendo o velho
se sentar num canto atrás do fogão.

Levavam comida para ele numa tigela de barro
e o que era pior nem lhe davam o bastante.

O velho olhava para a mesa com os olhos compridos,
muitas vezes cheios de lágrimas.

Um dia, suas mãos tremeram tanto
que ele deixou a tigela cair no chão e ela se quebrou.

A mulher ralhou com ele, que não disse nada, só suspirou.

Depois ela comprou uma gamela de madeira
bem baratinha e era ali que ele tinha de comer.

Um dia, quando estavam todos sentados na cozinha,
o neto do velho, que era um menino de quatro anos,
estava brincando com uns pedaços de pau.

- O que é que você está fazendo ? - perguntou o pai.

- Estou fazendo um cocho,
para papai e mamãe poderem comer quando eu crescer.
O menino respondeu.

O marido e a mulher se olharam durante algum tempo
e caíram em prantos.

Depois disso, trouxeram o avô de volta para a mesa.

Desde então passaram a comer todos juntos e,
mesmo quando o velho derramava alguma coisa,
ninguém dizia nada.

A Compaixão é uma das maiores Virtudes do Ser Humano.

A Bomba D`agua - contos

A Bomba D`agua

width=280 Um homem estava perdido no deserto, prestes a morrer de sede.

Eis que ele chegou a uma cabana velha, desmoronando, sem janelas, sem teto.

Andou por ali e encontrou uma pequena sombra onde se acomodou, fugindo do calor do sol desértico.

Olhando ao redor, viu uma velha bomba de água, bem enferrujada.

Ele se arrastou até a bomba, agarrou a manivela e começou a bombear, a bombear, a bombear sem parar.

Nada aconteceu.

Desapontado, caiu prostrado, para trás.

E notou que ao seu lado havia uma velha garrafa. Olhou-a, limpou-a, removendo a sujeira e o pó, e leu um recado que dizia:

Meu Amigo, você precisa primeiro preparar a bomba derramando sobre ela toda água desta garrafa. Depois faça o favor de encher a garrafa outra vez antes de partir, para o próximo viajante.

O homem arrancou a rolha da garrafa e, de fato, lá estava a água.

De repente, ele se viu num dilema.

Se bebesse aquela água, poderia sobreviver.

Mas se despejasse toda aquela água na velha bomba enferrujada, e ela não funcionasse morreria de sede.

Que fazer ?

Despejar a água na velha bomba e esperar vir a ter água fresca, fria, ou beber a água da velha garrafa e desprezar a mensagem ?

Com relutância, o homem despejou toda a água na bomba.
Em seguida, agarrou a manivela e começou a bombear... e a bomba e pôs-se a ranger e chiar sem fim.

E nada aconteceu!

E a bomba foi rangendo e chiando.

Então, surgiu um fiozinho de água, depois, um pequeno fluxo e finalmente, a água jorrou com abundância.

Para alívio do homem a bomba velha fez jorrar água fresca, cristalina.

Ele encheu a garrafa e bebeu dela ansiosamente.

Encheu-a outra vez e tornou a beber seu conteúdo refrescante.

Em seguida, voltou a encher a garrafa para o próximo viajante.

Encheu-a até o gargalo, arrolhou-a e acrescentou uma pequena nota:

Creia-me, funciona. Você precisa dar toda a água antes de poder obtê-la de volta.

Várias lições preciosas podemos extrair desta estória ...

Quantas vezes temos medo de iniciar um novo projeto pois este demandará um enorme investimento de tempo, recursos, preparo e conhecimento ?

Quantos ficam parados satisfazendo-se com pequenos resultados, quando
poderiam conquistar significativas vitórias ?

E você... ???

O que falta para despejar esta garrafa de água que você guarda e está prestes a beber e conseguir água fresca em abundância de uma nova fonte ???

Barulho de Carroça - contos

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Certa manhã, meu pai convidou-me
a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.

Ele se deteve numa clareira
e depois de um pequeno silêncio me perguntou:

- Além do cantar dos pássaros,
você está ouvindo mais alguma coisa ?

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:

- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia ...

Perguntei ao meu pai:

- Como pode saber que a carroça está vazia,
se ainda não a vimos ?

- Ora, respondeu meu pai.
É muito fácil saber que uma carroça está vazia,
é por causa do barulho.
Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje,
quando vejo uma pessoa falando demais,
inoportuna e interrompendo a conversa de todo mundo,
tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo...

Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho.

O Barbeiro - contos

O Barbeiro

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Um senhor estava no barbeiro cortando os cabelos e fazendo a barba.

Enquanto isso conversava com o barbeiro e falava da vida e de Deus.

Dai a pouco, o barbeiro incrédulo não aguentou e falou:

- Deixa disso, meu caro, Deus não existe.

- Por quê ?

- Ora, se Deus existisse não haveria tantos miseráveis, passando fome, olhe em volta e veja quanta tristeza, é só andar pelas ruas e enxergar !!!

- Bem, esta é a sua maneira de pensar, não é ?

- Sim, claro.

O freguês pagou o corte e foi saindo, quando avistou um maltrapilho imundo, com longos e feios cabelos, barba desgrenhada, suja, abaixo do pescoço.

Nao aguentou, deu meia volta e interpelou o barbeiro:

- Sabe de uma coisa, não acredito em barbeiros.

- Como ?

- Sim, se existissem barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas.

- Ora, eles estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até mim.

- Entendeu agora ?

Árvore dos Problemas - CONTOS

Árvore dos Problemas


Esta é uma história de um homem que contratou
um carpinteiro para ajudar a arrumar
algumas coisas na sua fazenda.

O primeiro dia do carpinteiro
foi bem difícil.

O pneu do seu carro furou.

A serra elétrica quebrou.

Cortou o dedo.

E ao final do dia,
o seu carro não funcionou.

O homem que contratou o carpinteiro
ofereceu uma carona para casa.

Durante o caminho,
o carpinteiro não falou nada.

Quando chegaram a sua casa,
o carpinteiro
convidou o homem para entrar
e conhecer a sua família.

Quando os dois homens estavam se encaminhando para a porta da frente,
o carpinteiro parou
junto a uma pequena árvore
e gentilmente tocou
as pontas dos galhos com as duas mãos.

Depois de abrir a porta da sua casa,
o carpinteiro transformou-se.

Os traços tensos do seu rosto transformaram-se em um grande sorriso,
e ele abraçou os seus filhos
e beijou a sua esposa.

Um pouco mais tarde,
o carpinteiro acompanhou
a sua visita até o carro.

Assim que eles passaram pela árvore,
o homem perguntou:

- Porque você tocou na planta
antes de entrar em casa ?

- Ah! esta é a minha

Árvore dos Problemas


- Eu sei que não posso evitar ter problemas
no meu trabalho,
mas estes problemas não devem
chegar até os meus filhos e minha esposa.

- Então, toda noite,
eu deixo os meus problemas
nesta Árvore quando chego em casa,
e os pego no dia seguinte.

- E você quer saber de uma coisa

- Toda manhã, quando eu volto
para buscar os meus problemas,
eles não são nem metade
do que eu me lembro
de ter deixado na noite anterior.